domingo, 7 de maio de 2017

Homenagem `as mães

UMA HISTÓRIA FICTÍCIA

Será que existe algo mais abrasador
Do que a dor da mãe que dormita,
Solita, em seu caminhar da renúncia?
A pronúncia abafada de um amor sem fim?


É anjo sem asas e mesmo assim abraça
Seu rebento em colo abençoador
E nina, e canta, e espanta em oração,
O bicho papão, que não fica no telhado,
Nem no chão, quando ela sorri em canção.

MÃE!
Estás abafada nas telas do computador,
Nos vídeos games da vida moderna,
Na tela iluminada do celular,
Lá estás? Que nada!

A MÃE,
A palavra, a figura, a pronúncia,
Fica na convergência, na impronúncia,
Na incompetência dos filhos atuais.


Será que existe algo mais abrasador
Do que a dor da mãe que dormita
Solita em seu caminhar da renúncia?
A pronúncia abafada de um amor sem fim?

Diz para mim que faz tempo que não a vê!
Ali estão o computador e a T.V.
Atirado ao chão o livro
Que não mais vai ler,
Rustido, acanhado, achatado,
Com letras miúdas em poemas
Com dedicatória em histórias:
“Filho amo você!”

Nena Sarti/05/05/2017.